quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Crítica: Kujira no Kora Wa Sajou Ni Utau


Anime de tom artístico acerta em adaptação diferenciada.

Kujira no Kora já me surpreendia de certa forma nos PV's e imagens promocionais que iam saindo antes de sua estreia nessa temporada de outono de 2017. O visual muito bonito, principalmente dos personagens, me deixou curioso sobre o porque o estúdio J.C Staff, iria investir tanto em beleza nessa adaptação do mangá de Abi Umeba. E nos 12 episódios que se desenrolou toda essa história, vemos que a beleza é um ponto chave para Kujira no Kora.


A história conta sobre uma pequena civilização, que vive numa espécie de navio-ilha. Denominada de Baleia de Lama, esse estranho navio segue sem rumo, por um interminável oceano de areia (que inclusive possui peixes!). É interessante observar o cenário fantasioso dessa obra. Apesar de criar um mundo extremamente improvável dentro da lógica, o anime se preocupa em definir uma trama coesa, sem apelar ao fantasioso milagroso todas as vezes que for conveniente. As paisagens são desenhadas de uma forma que nunca vi antes. Algo que me lembra um quadro pintado, como uma aquarela. Mesmo criando um certo contraste com os personagens, esse visual diferente não me incomodou, pelo contrário, chamou bastante a atenção de forma positiva.


E nesse fantástico mundo encantado, temos o jovem Chakuro que vive nessa ilha, aonde existe uma divisão de pessoas residentes. Temos os Marcados, que conseguem utilizar uma espécie de poder mágico chamado Thymia, com o preço de ter um curto período de vida (os Marcados morrem muito jovens) e as pessoas não Marcadas, que vivem mais e por isso geralmente recebem os cargos administrativos da ilha, liderando todos os habitantes.


A população da Baleia de Lama, nunca teve contato com o mundo exterior. Isso trás uma sensação de mistério muito eficaz que o anime começa explorar aos poucos. Quando uma ilha semelhante se aproxima da Baleia de Lama e eles começam a ter contato com outra civilização, a história começa a percorrer por caminhos mais interessantes, principalmente quando um povo muito pacifista acaba encontrando outros humanos nada amigáveis.


Como um todo, o anime foca em temas interessantíssimos. E o primeiro deles que gosto de opinar é sobre o quesito conflito. Imagine um povo que vive em paz, sem brigas internas e externas e que da noite para o dia, encontra inimigos. Um povo sem experiência de batalha, agora se vê contra a parede, tendo que derramar sangue para defender seus conterrâneos. E é com esse quesito que o anime começa a surpreender. Mortes inesperadas, problemas que crescem como bola de neve. O roteiro começa a mostrar facetas diferenciadas, já que inicialmente, não parecia que a história iria tomar um rumo tão violento.


E quando digo que a história é diferenciada, digo até nos momentos mais emocionais da trama. Alguns personagens discursam sobre amizade, amor, depressão, companheirismo e sonhos em momentos decisivos, geralmente a beira da morte. As cenas são carregadas de subjetivismos e se assemelham a uma apresentação teatral, cheia de cores e boas músicas de fundo. Até mesmo a morte dos personagens é tratada com uma certa "beleza", mas que por mais belo que seja o momento, não apaga o sentimento chocante do espectador pela reviravolta.


Acho interessante esse elemento improvável, na qual as coisas não dão certo em alguns momentos, tanto pros protagonistas como pros antagonistas. Mostra que essa curisosa história de fantasia, se preocupa em manter um padrão mais realista nos acontecimentos, mesmo sendo fantasiosa demais com os temas mágicos.


E em meio a isso tudo, temos o amadurecimento de personagens, como é o caso do Chakuro, a Lykos que encontra um novo jeito de viver em meio a população da Baleia de Lama, o líder inexperiente Suou, que tem o grande desafio de governar o lugar no momento mais difícil que a população já viveu e o habilidoso Ouni, que deseja ver o mundo e sair da mesmice de viver e morrer em uma ilha no meio do grande oceano. São personagens centrais para o desenvolvimento dessa trama que trata de opiniões diversas a cerca do sofrimento interno. É melhor continuar sofrendo com memórias dolorosas, ou apagar tudo e viver sem dor?


E com esse tom artístico e condução da trama exautando beleza em todos os momentos, Kujira no Kora foi uma grande surpresa para mim. Existem alguns pontos que me desagradam, como por exemplo a comédia. É muito fora do tom e vira um alívio cômico muitas vezes sem sentido e sem graça. Os personagens chorando o tempo todo podem irritar um pouco, porém é visível a evolução deles conforme a história avança. Mas resumindo, é um belíssimo conto de fadas, que se torna corajoso por não esconder violência e os momentos obscuros, como também com desenvolvimento de personagens complexos e interessantes. Fora o reforço no velho ensinamento, de que por mais que o sofrimento seja avassalador, as boas memórias daqueles que amamos, devem permanecer nos nossos corações para sempre.

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