sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Crítica: Inuyashiki


Tell my hero, what do we need?!

Sempre bom ver padrões sendo quebrados nos animes. A questão do estereótipo protagonista numa animação japonesa, já segue em quase 100% dos casos um padrão contínuo. São jovens, geralmente no período de adolescência ou jovens adultos, em geral belos de aparência. Pois então chega esse anime de nome Inuyashiki e subverte esse estereótipo.


Diferente das descrições acima citadas, o protagonista dessa história é um homem de 58 anos, porém com aspecto bem mais acabado, pele enrugada e físico esquelético, aparentando pelo menos mais de 65 anos. Ichirou Inuyashiki, que possui uma vida lamentável, sem amor recíproco de sua família, com fortes dores nas costas, sentimento de decepção por não ter alcançado grandes conquistas na vida e como se não pudesse piorar, um câncer que levará sua vida em pouco tempo. Esse é o herói dessa história.


Parecendo um drama inicialmente, o autor dá um giro incrível de roteiro, quando um estranho evento mata o nosso protagonista e um jovem que estava no mesmo lugar que ele, após uma explosão misteriosa em um parque. Aparentemente uma queda de uma nave alienígena, os seres cósmicos reconstroem todo o lugar, afim de evitar de serem notados pelos humanos e isso inclui, reviver qualquer ser vivo que tenha sido morto na explosão.


O Sr. Inuyashiki acorda, se sentindo bem mais disposto do que antes e curiosamente detentor de uma espécie de super poder que daria inveja aos super heróis mais famosos. Super força, habilidade de cura, voar pela cidade e resistência a praticamente tudo. O velho fraco e de aparência cansada, resolve usar os seus poderes para ajudar as pessoas e se sentir útil dentro da sociedade. Mas assim como o velho herói possui boas intenções, do outro lado o jovem ressuscitado, vítima da mesma explosão, possui um comportamento psicótico e personalidade obscura.


O anime não economiza nas cenas de violência. Imagine um psicopata detentor de um poder monumental, distribuindo seus desejos violentos em pessoas aleatórias. Os momentos aonde o antagonista Hiro Shishigami, mata inocentes incluindo crianças a sangue frio, são de revoltar o espectador com exatidão. Os crimes cometidos pelo jovem são representados com atos de crueldade chocantes. Cenas de pessoas sendo massacradas sucessivamente, sem o menor pudor, tornam esse um dos animes mais violentos do ano.


Com esse contexto de ações boas versus ações ruins, o anime se prossegue mostrando as mais diversas situações, no cotidiano desses “Deuses” de índoles distintas. O mangá do autor Hiroya Oku (mesmo autor de Gantz) é um espetáculo visual. Os quadros são incrivelmente bem desenhados, com os menores detalhes sendo realisticamente representados. Já o anime, que recebeu a adaptação do estúdio MAPPA, não faz jus a beleza visual do material original.


Design de personagens super comum, animação combinada com CGI em certas cenas, destoam a qualidade técnica e entregam um anime com cenas por vezes estranhas. Não entendo essa alternativa de combinar 2D com 3D. Pode ser um recurso mais barato, para que a animação caiba dentro do orçamento do estúdio, mas na maioria dos casos não fica bom e Inuyashiki não é uma exceção.


A dublagem, principalmente do protagonista não me agradou. Certos momentos mais dramáticos, não ganham o peso necessário que a cena pede, justamente pela questão de má representação do dublador. A trilha sonora nos momentos de tensão é boa e as músicas temas do anime também me agradaram, porém avaliando tecnicamente, o anime é bem regular.


Por outro lado, a falta de competência técnica é recompensada com um roteiro que tem boas idéias e ótimos momentos. A cena do Sr. Inuyashiki protegendo um homem de uma gangue de bandidos, é uma das minhas favoritas. A falta de perícia para lutar, fazem da cena, algo bizarro e vergonhoso, porém quando ele acerta um soco em um dos meliantes, é o suficiente para nocauteá-lo. Representou de uma forma muito realista, uma pessoa desprovida de habilidades de luta, combatendo o crime usando um super poder.


Enquanto a luta contra o crime, principalmente a destruição da Yakuza e os constantes milagres do Sr. Inuyashiki, trazem uma boa e diferente história de super herói, o lado antagonista que é igualmente desenvolvido de forma paralela, não tem o mesmo feeling atrativo. Hiro já é automaticamente detestável devido suas ações e para completar, seu arco é lotado de momentos duvidosos e mudanças de personalidade inexplicáveis. Hora o personagem resolve se passar de bom, hora resolve ser mal de novo. Essa transição de personalidades é representada de uma forma que não faz o menor sentido.


Também fica visível, a intenção do autor, de retratar uma sociedade detestável, principalmente no que diz respeito os jovens. São pessoas dando opiniões na internet de forma agressiva e acusadora, momentos de riso aonde os rostos ficam bizarros e pavorosos, apoio às ações de Hiro, um assassino abertamente declarado e outros comportamentos de uma população despreocupada com temas importantes e extremamente egoísta. Provavelmente, o autor não se agrada com a atual concepção de vida dos japoneses e pensou em retratar isso de uma forma realista, porém bastante exagerada. Percebo um certo humor negro, dentro de uma história que se preza levar o exagero com seriedade.



Inuyashiki sofre do mesmo problema de Juuni Taisen, anime que avaliei em post anterior. São boas ideias mal executadas, dentro de uma adaptação ineficiente. Espero que pelo menos, isso seja a porta para a abertura de uma tendência, que não segue as mesmices em representar jovens como principais de um enredo. Com todos os defeitos que pude enfatizar nessa crítica, não posso negar que sinto pelo menos um pouco de carisma pelo personagem Ichiro Inuyashiki, por mais que tenha sido mal retratado na animação. Com todos os problemas técnicos e de roteiro, não posso negar que Inuyashiki, se tornou meu mais novo herói.

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2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Só tem uma a comentar: O manga é ótimo pois eu li tudo em japonês mesmo( sou fluente em japonês) mas o anime deixar muito a deseija principalmente o episodio 11(FINAL), mas que MERDA que fizeram resumiram dois volumes inteiro em um único episodio ficou um saco!!! Era para tem feito no minimo 2 episodio assim terminaria com 12 episodio.
    Lamentável um grande anime tenha um final tão comprimido!!!!

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