quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Crítica: ERASED (Netflix)


Live action impressiona com ótima direção e atuações competentes.

Contém Spoilers!

Torcer o nariz quando uma adapatação de mangá ou anime em live action é anunciada, se tornou extremamente comum para nós, amantes da arte de animação japonesa. A desesperança extremamente comum, para quem já foi massacrado com filmes ridículos como Dragon Ball Evolution e até mesmo o recente e horroroso Death Note da Netflix, não é novidade nenhuma. Mas como tudo na vida tem uma exceção, fiquei muito feliz de ver que Erased, baseado no mangá e anime Boku Dake Ga Inai Machi, não só é um live action de respeito, como também a melhor adaptação de um anime para live action já feita.


Mesmo depois dos trailers promocionais e divulgação do elenco, Erased não me deu nem um pingo de ansiedade. O anime lançado em 2016, foi sem dúvida um dos melhores do ano e adaptou com muita competência o mangá de Kei Sanbe. E por mais polêmico que possa parecer minha opinião e consequente crítica a respeito dessa série, digo com muita certeza que Erased, consegue em diversos momentos, ser melhor do que o anime e estarei explicando meus motivos para essa conclusão.


A trama é exatamente a mesma do anime, mesmos nomes, lugares e acontecimentos (por mais que tenham alterado certas coisas, a conclusão é a mesma). Satoru é um jovem que deseja ser um mangaká, porém não consegue emplacar nenhum sucesso em uma editora. Com 29 anos, o rapaz desmotivado, não possui nenhuma outra ambição e reflete constantemente sobre qual o seu papel no mundo. Porém curiosamente, Satoru possui uma estranha habilidade, na qual sempre que algo ruim acontece próximo à ele, o tempo retorna alguns minutos, para que a tragédia seja evitada. Após o misterioso assassinato de sua mãe, Satoru acaba voltando para os tempos de colegial e tudo indica que um serial killer dos seus tempos de infância e aquele que matou sua mãe, sejam a mesma pessoa.


Com o ritmo igualmente bem desenvolvido do anime, Erased ainda mantém uma incrível fidelidade com o cenário. A cidade, a escola, os locais percorridos por Satoru, tudo adaptado com uma similaridade incrível ao original. Os personagens também são bem parecidos com o animação e as atuações, por mais que não sejam dignas de Oscar, atendem a demanda da obra e por vezes surpreendem.


Fiquei muito satisfeito com os atores Reo Uchikawa e Yuuki Furukawa, que atuam respectivamente como o Satoru criança e adulto. O único problema nessa questão de passado e futuro, é a falta de convergência. O Satoru criança, deveria ser um jovem de 29 anos no corpo de um estudante do primário e o que me parece é que o Satoru criança é simplesmente uma criança, não um adulto em um corpo diferente. Os atos e costumes não diferem de uma criança de 11 anos.


E para começar a dar as explicações do porque o Live Action supera o anime em vários pontos, já menciono a questão do aprofundamento. A história por vezes apresenta mais diálogos e cenas um pouco mais extensas. Isso ajudou a desenvolver melhor certos personagens e criar maior complexidade dos mesmos. A trilha sonora, competentemente escolhida, contribui muito para enaltecer a emoção do espectador. Junto das boas atuações, tivemos momentos muito bonitos, principalmente na relação de Satoru com sua mãe. Juntando esses pontos, o Live Action consegue emocionar mais do que o anime.


A única coisa que acho pouco aproveitada é querer fazer um thriller sem mostrar um pouco mais de crueldade. Apesar de crimes envolvendo crianças serem totalmente hediondos, a série não transmite esse quadro com intuito de chocar tanto. Afinal estamos falando de uma trama de assassinato e serial killer e mesmo assim quase não se vê sangue na série.


E falando no assassino, o personagem Gaku Yashiro é uma das melhores coisas da série. O ator Shigeyuki Totsugi, atuou como um verdadeiro criminoso calculista e conseguiu esconder as pistas que levavam até ele, muito mais do que no anime, por mais que estivesse meio que na cara, o fato dele ser o culpado. A cena do rio, aonde ele se revela e mesmo assim mantém a mesma postura de bom moço e com o mesmo sorriso no rosto é simplesmente de arrepiar.


A adição de diálogos, as boas atuações e a direção super competente, nos presenteia então com um Live Action que faz exatamente o que todos deveriam fazer, respeitar o fã de anime. O diretor Ten Shimoyama, deve realmente ser um apreciador da obra, já que realizou um ótimo trabalho dando mais minuciosidade aos acontecimentos e corajosamente mundando outros caminhos da trama, mas que no fim renderam um final mais completo e primoroso.


Voltar ao universo de Boku Dake Ga Inai Machi, com atores reais, talvez tenha sido uma das melhores experiências de 2017. Apesar de saber exatamente para onde a trama estava indo, fui me supreendendo pelo caminho, aonde detalhes e nuances foram sendo acrescentadas e enriquecendo aquele universo. No fim, quando a última cena vem em tela, fui pego da mesma forma quando assisti o final do anime. Um grande sorriso no rosto e um delicioso sentimento de satisfação.

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