quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Crítica: Kimi No Na Wa

 
O mais rentável filme de animação japonesa da história faz jus à sua enorme popularidade, através de sua imensa qualidade.

O diretor Makoto Shinkai, até os anos antecedentes à 2016, não era conhecido por grande parte do público apreciador de animação japonesa. Fãs mais famintos por materiais diversos (como no meu caso), acabam por conhecê-lo devido à muitas pesquisas a cerca do assunto que envolve o mundo dos animes. Kimi No Na Wa, apareceu causando um grande barulho no ano passado. Barulho esse que foi ficando cada vez mais alto e catapultando tanto o longa quanto a reputação de Shinkai para as alturas.

 
Avaliando logo de cara, percebemos que Shinkai contraria tudo o que já foi mostrado em longas anteriormente dirigidos por ele. O foco na distância de personagens, usado em filmes como Kotonoha no Niwa (O Jardim das Palavras) e 5 Centimeters por Second, trazem a tona esse impasse, que acaba por separar pessoas que nutrem profundos sentimentos um pelo outro. Mas esses filmes aqui citados, constroem um drama que acaba sendo levado à situações que provocam a tão indesejada separação de personagens. Em Kimi No Na Wa, os protagonistas já estão separados por uma longa distância.

 
E repetindo a questão da contrariedade de seus conceitos comuns, Shinkai demonstra profundas e perceptíveis mudanças no tom apresentado na trama. Não há aquela sensação de desolação e tristeza. As músicas, as feições dos personagens, mostram um total oposto do que o diretor pregou antes, em filmes que apesar de bons, transmitiam infelicidade aos espectadores.

 
Os cenários incríveis já são marcas registradas no trabalho do diretor. Até mesmo os menores detalhes no cenário, como folhas, galhos e defeitos no asfalto, recebem um minucioso tratamento artístico detalhista. Assim como outros elementos como luz do sol, nuvens e céu estrelado, apresentam um grau de beleza muito superior ao que chegou a ser mostrado nos seus filmes antepassados.



 
E assim, com boas músicas de fundo e cenário exuberante, começa a história de dois estudantes, que por um fenômeno nada normal, acabam por trocar de corpos repentinamente várias vezes. As cenas das experiências pessoais dos dois, Taki no corpo de Mitsuha e Mitsuha no corpo de Taki, trazem divertidos momentos para história, mostrando como a mudança de personalidades causam estranheza e reações duvidosas dos amigos e familiares que se fazem presente no cotidiano dos jovens.


 
E falando em personalidade, achei maravilhoso como ela foi certeiramente refletida na troca dos corpos. Eu realmente conseguia enxergar Mitsuha no corpo de Taki, com seus hilários momentos de feminilidade, assim como a garota que do nada passa agir de um forma masculina, despertando inclusive a atenção de outras meninas.



A repentina perda de contato entre eles foi uma excelente jogada do roteiro, aumentando a dramatização referente à distância e a falta que um acaba fazendo ao outro. Tal questão, aparentemente seria fácil de se resolver. Apenas entrar em contato através do celular, naturalmente poderiam marcar um encontro cara a cara, mas eis que Shinkai magistralmente, tira uma carta da mangá e joga na nossa cara, uma tremenda reviravolta que nos remete à um conceito tabu, mas inesperado nesse longa, a viagem no tempo.


Shinkai ainda se preocupou em explicar os eventos sobrenaturais em que os protagonistas foram submetidos, dando interessantes respostas para os mistérios. O ponto alto do filme realmente é a cena de encontro na montanha. Eles estão ali, conseguem ouvir as vozes um do outro, mas eles não se encontram, até que um detalhe jogado no começo do filme, trás uma centelha na nossa cabeça e o encontro milagrosamente acontece. Todas as cenas de encontro entre os jovens foram incrivelmente executadas, com comoventes diálogos e músicas de fundo acolhedoras. Kimi No Na Wa é realmente um produto que reflete o amadurecimento e incrível evolução de Shinkai como diretor, nesses detalhes presentes no clímax da história.

 
E como mencionei no começo desse post avaliativo, Shinkai mais uma vez se contraria, entregando um final livre dos sentimentos depressivos como em 5 Centimeters Por Second e outras obras suas, com uma conclusão muito bonita em mais um encontro do casal. Explorar a distância dessa forma mais motivadora do que tristonha, foi realmente a maior jogada do diretor. O carisma dos personagens aliado a todas as situações por eles enfrentadas durante os 107 minutos de filme, causam de forma perspicaz, a sensação de querer vê-los juntos e tudo dando certo.

 
Talvez essa seja a chance, dele rivalizar com o primoroso Estúdio Ghibli, trazendo mais magníficas animações, dignas de permanecer nas nossas memórias. Que ele não pare tão cedo e nos presentei com mais cenários exuberantes e histórias muito estimadas.

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